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"ENXAQUECA OU DOR DE CABEÇA TEM CURA?"

 

Confira a reportagem sobre o tema "ENXAQUECA OU DOR DE CABEÇA TEM CURA?" com um de nossos profissionais publicada na revista "Odisseia da Medicina".

 

Dr Marcos Antonio Carneiro

 

 

“A enxaqueca é uma dor geralmente latejante, e o paciente pode referir um tipo de pressão ou peso na cabeça. Tende a se instalar na metade do crânio
(hemicrania), com intensidade de fraca a moderada ou forte. Mesmo sendo fraca, torna-se muito incomodativa. Pacientes referem durações efêmeras, de minutos a poucas horas, havendo pacientes em que a dor persiste por três a quatro dias. A frequência também é variável: uma vez ao ano, uma vez ao mês ou quatro a cinco vezes ao mês – daí ser comum.”.

 

 

Com o início de uma crise de enxaqueca, há liberação de noradrenalina que se liga às artérias extracranianas, o que provoca a forma latejante de dor. Entretanto, como tudo se inicia, ainda não há nada comprovado. Existem muitas teorias para tentar explicar a fisiopatologia da migrânea, porém, sem definições.

 

Tudo aponta estarem as alterações relacionadas às muitas substâncias químicas existentes no tecido nervoso, os neurotransmissores, já descobertos, outros ainda sendo descobertos. O funcionamento do sistema nervoso se dá pela integração entre os bilhões de neurônios existentes aí e os mediadores químicos ou neurotransmissores. Se ainda se desconhece muitos deles, como se poderia conhecer o pleno funcionamento do cérebro e demais partes do sistema nervoso? Como se pode conhecer a fisiopatologia da enxaqueca? Consta que este tipo de dor de cabeça – migrânea - é tão antigo quanto a existência do homem. Diz-se que São Lucas e Einstein tiveram este tipo de cefaleia.


Alguns aspectos da personalidade parecem constantes nos seus portadores, bem como a tendência ao aparecimento numa mesma família, embora não haja um padrão genético de transmissão. Assim, observa-se com frequência nos enxaquecosos uma rigidez de costumes – não admitem erros, apresentam tendência à perfeição - parece que essa dureza faz com que se desequilibrem os neurotransmissores no sistema nervoso, surgindo as dores. Também alguns alimentos parecem induzir a uma crise, geralmente alimentos com gordura, leite e derivados, ovo. É variável de pessoa para pessoa: para um é abacate, para outro melancia.


Observa-se uma maior frequência de casos no sexo feminino, em parte devido a fatores hormonais, e em grande parte muito provavelmente pelo fato de o sistema límbico feminino ser mais ativo do que o do sexo masculino. Isso pode ser comprovado por meio de tomografia por emissão de pósitrons (PET) e de tomografia computadorizada com espectroscopia (SPECT). Dessa forma, o sexo feminino se tornaria mais vulnerável a este tipo de desordem, por apresentar, com muita frequência, o humor instável.

Como agir o portador de dor de cabeça?


1- Procurar o médico para o diagnóstico correto, mesmo sendo muito mais frequentes as cefaleias primárias (96%);

2 – Evitar tomar analgésicos em excesso, o que pode induzir à cefaleia;

3 – Seguir a orientação do médico habilitado para o tratamento, porque os recursos terapêuticos e propedêuticos disponíveis são muito diferentes dos de décadas passadas. E, dessa forma, também a pessoa evita a cefaleia crônica, que é mais difícil de se tratar. A enxaqueca tem tratamento, ao contrário do que muito se diz.


Existe um grande arsenal terapêutico para o tratamento da enxaqueca, desde medicamentos naturais (chás calmantes) até fármacos de última geração. Cada paciente tem um perfil, a cada paciente é endereçada uma modalidade de tratamento. Observar a rigidez de costumes, tentar pegar mais leve consigo mesmo e com terceiros – tentando soltar-se, acredita-se ser o princípio de tudo. Com frequência, vê-se pacientes portadores de enxaqueca que, por exemplo, fazem uma festa em sua casa, em um dia de sábado. E quando termina a festa às 23h, ainda querem arrumar a casa e ficam até às 2h da manhã. Diz-se que, quando estes pacientes deixarem as vasilhas para o domingo cedo, é sinal de que estão melhorando! Eles se preocupam porque está chovendo, porque está ficando de noite, porque faz calor, porque está frio e mais – são coisas que estão ocorrendo, e as preocupações não vão mudar o seu curso.


Colocar como objetivo da vida a tranquilidade, e não a vida mesma, que é atividade. Tudo o que se fizer tem de levar à serenidade – ter convivência com pessoas calmas, ver boas notícias e não cenas com acidentes, desastres. Fazer leituras agradáveis, trabalhar no que gosta, no que dá prazer.
É consenso entre os estudiosos que dormir bem, ter uma boa qualidade de sono evita muitas doenças. Por exemplo, nas pessoas que dormem sete horas por dia, regularmente, a incidência de infarto do miocárdio é menor. É durante o sono profundo que a imunidade se eleva, é aí que se tem repouso absoluto, em que as células descansam. É um estado perfeito – a pessoa em sono profundo fica com um aspecto plástico, o que é diferente do estado natural, com tônus muscular, quando desperta. E, com certeza, dormir bem tem influência positiva na resolução da enxaqueca. O problema é que quando se quer dormir – aí a pessoa não dorme. A coisa tem que acontecer. Obviamente, existem problemas que interferem no sono, como obesidade, ronco, que devem ser abordados por especialistas da área. Uma boa dieta, equilibrada – de boa qualidade -, com quantidade apenas o suficiente (relativo para cada um) é muito positivo. Evitar os alimentos que possam precipitar uma crise.

Associado a isso, fazer uma atividade física diária de 1h, qualquer modalidade, de acordo com a preferência. Levantar-se cedo, deitar-se cedo. Dormir um pouquinho após o almoço. E procurar ser sempre alegre e feliz!

 

Dedico este artigo ao meu estimado professor e preceptor em Neurologia, do Instituto de Neurologia de Goiânia, o Dr. Sebastião Eurico de Melo Souza.

 

Obrigado